quarta-feira, 24 de julho de 2013

 
 
 
Cap. 1
 
Não sei porquê, mas passou-me pela cabeça a ideia de voltar para Inglaterra. Podia concluir lá os estudos, até porque as escolas são melhores, e enquanto não estava a estudar podia ter um emprego, só para ganhar algum dinheiro. Tinha uma casa em Cheshire que eu e os meus pais só utilizávamos para passar férias, por isso não tinha muito trabalho em procurar uma casa para viver. Bastava falar com os meus pais para que eles aprovassem a minha decisão e me matriculassem numa boa escola, por isso foi o que fiz. Falei com eles e aprovaram a minha decisão, visto que tenho a responsabilidade o suficiente para viver sozinha. Mas a minha mãe teve algum medo de me deixar partir, sem ninguém, e como tenho alguma família lá, ela pediu a umas primas minhas (que eu não conheço) para eu viver com elas. E assim foi. Arrumei a minha roupa nas malas e todos os meus materiais em caixas. Os meus pais já me tinham comprado o bilhete de avião, por isso fomos os três até o aeroporto. Quando chegamos fiquei a observar a grande quantidade de gente que se encontrava lá. Vi casais a despedirem-se uns dos outros com lágrimas escorrendo sem parar, vi pessoas a chegarem e abraçarem as famílias que esperavam com paciência o seu regresso. Olhei os meus pais, que esperavam um último abraço e um último " adoro-vos" da minha parte. Abracei a minha mãe com força e olhei-a nos olhos, vendo uma lágrima cair pelo seu rosto. Larguei-a e abracei o meu pai, este levanta o meu rosto, pequeno e frágil, fazendo-me olha-lo nos olhos.
Pai: Adoro-te pequena.
Ele abraçou-me uma última vez e de seguida largou-me. Olhei ambas as figuras das pessoas que amava e pronunciei as minhas últimas palavras antes de entrar no avião.
Eu: Adoro-vos. - dito isto uma lágrima escorreu ao longo das minhas bochechas.
Entrei no avião e sentei-me no meu lugar. Olhei pela janela e vi os meus pais abraçados e a acenar. Sorri-lhes e acenei de volta. Deram a informação de que o avião ia levantar voo. Coloquei o cinto de segurança e olhei de novo pela janela vendo aquelas duas figuras a ficarem mais pequenas até desaparecerem. Coloquei os fones nos ouvidos, ouvindo uma música calma, para tentar adormecer. Dormi durante toda a viagem e quando acordei já o avião estava a aterrar. Olhei pela pequena janela redonda para tentar encontrar o meu nome numa das muitas placas que lá se encontravam, mas não o via. Sai do avião com algumas dores nas pernas devido ao tempo que estive sentada. Olhei em volta, continuando á procura do meu nome numa das muitas placas que lá se encontravam.
Eu: Encontrei! - disse num suspiro.
Dirigi-me para lá e reparei que me esperavam cinco pessoas. Três raparigas, um menino ainda pequeno, cerca de seis ou sete anos, e um homem já com alguma idade, vestido de fato e gravata. Caminhei até eles. Todos me sorriram e acenaram.
XXX: Olá eu sou a Dana. - disse abraçando-me. - e estas são as minhas irmãs e o meu irmão mais novo.
Eu: Olá, sou a Claire. - disse sorrindo.
Dana: Hey, Jake! Anda comprimentar a Claire.
Jake: Olá, eu sou o Jake.
- disse tímido.
Eu: Olá Jake.
XXX: Eu sou a Liv.
- disse com um sorriso encantador e doce.
Eu: Olá.
XXX: Bem, só falto eu. Sou a Roxie.
Eu: Olá.
Liv: Bem e este é o David, o motorista.
- disse apontando para o tal senhor de fato, que me acenou calmamente.
Jake: Liv, quero ir para casa. - disse timidamente.
Liv: Então vamos! - disse pegando nalgumas malas minhas.Dana, Roxie e David fizeram o mesmo, guiando-me até um carro grande o suficiente para todos cabermos.
Chegamos a uma casa enorme com um quintal lindo.
Jake: Claire...
Eu: Sim Jake.
Jake: No quintal de trás há uma piscina... tu queres ir comigo depois de arrumares as tuas coisas?
- perguntou corando.
Eu: Claro que sim.
Na realidade estava um dia lindo, estava calor e o sol brilhava rompendo as nuvens que tentavam tapá-lo.
Eu: Jake, mostras-me o meu quarto?
Jake: Sim!
- disse animado.
Liv abriu a porta de entrada e Jake agarrou a minha mão. Subimos as escadas e entramos numa porta ao fundo do corredor. O quarto era lindo, decorado em tons de branco e vermelho cor-de-vinho, tinha uma cama de casal ao centro do quarto, uma secretária perto da janela, duas mesas de cabeceira, uma de cada lado da cama e tinha também uma cómoda com um espelho. Reparei também em mais duas portas, uma era da minha casa de banho e a outra era o meu roupeiro (que era praticamente outro quarto) ,tinha as paredes pintadas de branco, o tecto era em azul bebé com pequenas nuvens brancas desenhadas e o chão era em madeira.
Jake: Então, gostas?
Eu: Sim, é lindo.
Jake: Fomos nós que decoramos.
Eu: Está fantástico.
Liv: Ainda bem que gostas.
Dana: Bem, acho que fizemos um bom trabalho.
Roxie: Sim, também acho. Claire, precisas de ajuda para arrumar as tuas coisas?
Eu: Não, não é preciso, mas obrigada.
Liv: Ok, mas se precisares de alguma coisa diz.
Eu: Está bem, obrigada.
Jake: Eu vou-me preparar para ir para a piscina.
Liv: Nós também vamos.
Eu: Hum! Liv, posso falar contigo?
Liv: Claro! Meninas, vão-se preparar que nós já vamos ter com vocês.
Roxie e Dana sairam, deixando-me apenas com Liv.
Eu: Bem, eu ainda estou a estudar, mas queria trabalhar durante o tempo em que não estou na escola, para arranjar algum dinheiro, e... bem... vocês já vivem cá há algum tempo... e...podes-me ajudar?
Liv: Sim, claro. A tua mãe falou comigo ao telefone e eu já tratei disso. Espero que não te importes de trabalhar no mesmo sitio que nós.
Eu: Claro que não, isso era perfeito. Mas onde é que trabalham?
Liv: Pois, era ai que eu queria chegar. A Roxie e a Dana trabalham num restaurante e eu trabalho na casa de uma senhora muito simpática.
Eu: O que achas que é melhor para mim?
Liv: Bem, eu estou a precisar de mais alguém para me ajudar lá em casa. É só falar com a minha patroa, mas tenho a certeza de que ela vai deixar.
Eu: Então, obrigada Liv.
Liv: Sempre ás ordens. E agora vamos é arrumar as tuas coisas.
Depois de arrumar-mos as coisas, vestimos o biquini e uma camisola e descemos em direção á piscina. Quando lá chegamos, Dana, Roxie e Jake já estavam dentro de água. Liv retirou a sua camisola e entrou para a piscina. Eu continuei encostada á porta das traseiras.
Roxie: Porque não tiras a camisola?
Dana: Sim Claire, porquê?
Senti-me um pouco incomodada.  Tirar a camisola revelaria muitos promenores do meu passado. Mas talvez estivesse na hora de o revelar a alguém. Tirei-a, e à medida que a ia tirando, elas e o Jake olhavam para mim estupfactas/o. Finalmente, quando a camisola estava no chão, olhei para a minha barriga e reparei que eles olhavam na direção da grande cicatriz que havia e as pequenas queimaduras de cigarro que preenchiam a minha barriga.
Liv: Posso-te perguntar o que se passou aqui? :o
Dei uma pequena volta, e as grandes marcas nas minhas costas revelaram-se também.
Eu: Bem... é uma longa história. - disse suspirando e encarando o chão.
Roxie: Jake, vem comigo á cozinha comer um gelado.
Jake saiu da piscina, deu a mão a Roxie e ambos caminharam até ao interior da casa. Liv e Dana saíram também da piscina e sentaram-se numa das espreguiçadeiras que lá haviam.
Dana: Claire, neste momento somos a tua família, por isso, confia em nós e conta-nos o que se passou.
Eu: É muito complicado, e a história também não é pequena.
Liv: Nós temos muito tempo.
Eu: Não vos quero chatear com a história do meu passado.
Liv: Se te estamos a perguntar o que se passou, quer dizer que queremos saber a história.
Eu: Sabem, não é um assunto fácil de falar.
Dana: Compreendo, mas é importante para ti, e quero que confies em nós.
Liv: Se não te sentires preparada para nos contares agora, falas depois, quando te sentires mais confortável.
Acenei com a cabeça afirmativamente. Talvez deva esperar mais algum tempo, acho que não estou preparada, ainda, para revelar este ponto importante da minha vida.
Liv: Agora, vem para a água porque aí fora está um calor que não se pode.
Dana: O Jake e a Roxie já devem estar a chegar com os gelados.
Liv: Claire, amanhã nós já vamos trabalhar, não te importas de ficar com o Jake.
Eu: Claro que não.
Liv: Ótimo, amanhã eu falo com a minha patroa.
Eu: Ok.
- disse entrando para a piscina.
Pelo menos sei que a minha " nova família " não criticava o meu corpo, e eram pessoas em quem eu podia confiar, mas ainda não me sentia com coragem o suficiente para revelar o meu grande segredo. Talvez nunca chegue a revela-lo, mas " nunca " é uma palavra forte.

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